domingo, 12 de fevereiro de 2012

De passagem pela vida!

Esse post eu dedico à tia Luciene Fonseca, que desencarnou subitamente anteontem por causa de um AVC. E também à diva Whitney Houston, que partiu hoje deste mundo. Foto: Kata Beach, Phuket, Tailândia

É inútil buscar consolo na negação, no “que poderia ter sido se...”; quando a morte tem que vir, ela é imperativa. Eu acredito que nós construímos, ainda que de maneira inconsciente, as circunstâncias de nossa partida. Por mais que a medicina avance, por mais que sejamos cautelosos, por mais que tenhamos dinheiro, por mais que sejamos medrosos (ou melidrosos), quando chega o momento, a vida deixa de alimentar o nosso corpo físico. O que acontece depois, a experiência da vida (ou da consciência) em outra dimensão, tudo isso ainda é passível de questionamento mental. A única certeza é a do presente, estar inteiros aqui e agora. Todo o resto é especulação, até que passemos pela experiência (ou tenhamos o conhecimento da mesma por vias mais expandidas da nossa consciência)!

Me dei conta, mais uma vez, quando recebi a notícia do derrame de minha tia, antes mesmo de ser confirmada a sua morte, do quanto a viagem é uma boa metáfora para a vida. Às vezes, a gente esquece que está de passagem por esse mundo. Isso é bom, mas, no meu ponto de vista, somente quando se tem plena consciência da importância do momento presente. De estarmos totalmente entregues e de vivermos em plenitude, seja lá qual for a situação que nos seja apresentada.

Nos complicamos quando, por medo ou angústia frente à transitoriedade da vida, começamos a nos encher de entulho: físico, emocional ou mental, crendo que, de alguma forma, isso nos trará consolo. Quando nos paralisamos diante de experiências dolorosas e desaprendemos a soltar o que não nos serve. Quando já nem sabemos distinguir aquilo que obstrui a plenitude em nossa existência. E, diante de tanta confusão, começamos a dar protagonismo e responsabilidades a seres e/ou acontecimentos, que são apenas contingências criadas por nossa sombra sabotadora que, ao mesmo tempo, é a nossa redenção. Porque, através do incômodo da angústia, a nossa sombra nos mostra o nosso sintoma, o fio de ouro que nos guia rumo à saída do labirinto.

Nessa viagem, pelo menos para mim, a experiência do tempo e do espaço tem se elastizado brutalmente. De tal forma que, cada dia, cada acontecimento resume, muitas vezes, um ciclo de aprendizado inteiro, que, talvez, durasse meses ou anos no cotidiano ordinário, digamos assim. A experiência de viajar me aproxima da morte, de me saber transitória neste mundo, de maneira que tenho, como poucas vezes tive, a percepção do quanto o medo é inútil. O medo é uma mochila pesada, cheia de futilidades, coisas que eu não uso e nem vou usar, mas que, mesmo sabendo disso, não posso soltá-la.

By the way... tenho que reconhecer também que, como nunca antes, aprendi a viver com o mínimo necessário, estando de viagem por tanto tempo! Qualquer peso extra, um souvenir ou um livro, uma roupa a mais que seja, que eu use pouco, se transforma num fardo quando tenho que caminhar com isso nas costas por tanto tempo!

Como cada experiência é única, não posso recomendar a ninguém viver a mesma viagem, nem o mesmo itinerário, pois eu já me dei conta que dois viajantes, mesmo que façam a mesma viagem, ela nunca será a mesma. Porém, assim como tenho feito um enorme esforço para me livrar do famigerado excesso de bagagem durante essa minha viagem de quatro meses, convido a você que está lendo essas palavras, a olhar para a sua mochila, assim como tenho olhado sinceramente para a minha, e a medir (ou pedir ajuda, se for o caso) o seu entulho, o seu excesso de bagagem. Acredite: nem eu nem você precisamos dele.

OM Shanti!

4 comentários:

  1. Amada! Grande carinho para ti e obrigada pelas palavras!

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    1. Obrigada pelo carinho, Rosa! Bom saber que tenho a sua companhia por aqui :)
      Beijo grande!

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  2. obrigada por dividir suas reflexões conosco, Clá.
    só precisamos de um básico, com filtro solar :)

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  3. Oi Cla, só hoje, mais de um ano depois, estou vendo seu blog. que delícia de viagem. Obrigada por compartilhar e me fazer lembrar como é bom viajar. Que vontade! Já tinha visto as fotos que vc publicou no face. Beijo amiga.

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