| Angkor Wat, Camboja |
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Uma história cambojana
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
O resumo das praias tai
sábado, 18 de fevereiro de 2012
Koh Tao e o infinito embaixo d'água
domingo, 12 de fevereiro de 2012
De passagem pela vida!
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Tailândia e chuva, casamento da viúva!
Eu precisava desabafar isso aqui antes de prosseguir com os posts. Estava necessitando elaborar um pouco mais os últimos eventos e ter algum distanciamento histórico, antes de continuar com os relatos. Pois bem, sigamos, hehe!
Chegamos na Tailândia! Um voo bem rapidinho de Singapura nos levou à famosa Phuket, no sul muçulmano do país. Para quem não sabe, embora a Tailândia seja famosa por ser um país predominantemente budista, o sul do país é dominado pelos muçulmanos, muitos deles malaios ou descendentes de malaios.
Ah, tinha que fazer outro comentário: nunca entendi porque uma loja brasileira de meias leva esse nome, Phuket. Talvez pela sonoridade. O fato é que no sul da Tailândia é verão quase o ano inteiro. Meias: pra-quê-te-quero? Mas, tudo bem. A loja prosperou, talvez seguindo o exemplo do paraíso tailandês.
Sim, a Tailândia tem uma exuberância de fazer o queixo cair. Não dá pra negar a beleza desse lugar. Ainda no avião, pude perceber isso, e me senti de viagem à outro planeta, quando vi aquelas montanhas, de cor verde esmeralda, brotarem de um mar transparente. Esse, aliás, é o diferencial das praias daqui: a combinação espetacular de águas muito claras, num tom meio verde-azulado, areias brancas como neve, montanhas verdes, de formas estranhíssimas, algumas parecendo estalagmites que nascem de dentro do mar, e uma vegetação selvagem, algo muito particular.
No tempo dos vikings que, para minha surpresa, também andaram disputando essas areias, talvez fosse possível encontrar praias desertas, totalmente selvagens. Hoje em dia, isso é quase impossível! Encontrar um pedaço de chão desocupado é quase como acertar num bingo disputado de quermesse. Nesse aspecto, eu fui sortuda: ganhei no bingo! Consegui, através de um amigo que fizemos na Índia, que conhece muito bem a Tailândia, encontrar uma areia pra chamar de minha. Porém, quase não foi possível aproveitá-la porque estava... chovendo! Pô, São Pedro, até tu? :(.
Cova dos vikings, próximo a Koh Phi Phi
Acreditem: no alto do alto da alta temporada, eu só pude, em quase 15 dias de praia, ver o sol sair, sem absolutamente nenhuma nuvem, em apenas uns cinco dias. Nos demais, ou chovia, ou estava nublado, ou parcialmente. Não me chamem de pé frio! A culpa é do aquecimento global. O fato é que, ainda no avião, enquanto contemplava toda a beleza do lugar, pude observar umas nuvenzinhas cobrindo boa parte da paisagem, e isso me chamou a atenção. Ué, não é que aqui só chove em julho, agosto? Necas de pitibiriba!
Na verdade, não foi só São Pedro que me deixou meio descolocada na minha temporada praieira tai. Estava muito mal-acostumada com a receptividade, a calidez, o sorriso sincero e amigável do povo do sul da Índia. Tão mal acostumada e com a guarda tão aberta, que não consegui conectar com a agressividade mascarada que percebi no sul da Tailândia. A energia no sul muçulmano tailandês é de disputa, de embate, em quase todos os lugares de praia que passamos. Não pude vivenciar o famoso sorriso fácil tailandês, ao contrário. Senti que, pelo menos no sul, a amabilidade vinha sempre com segundas intenções.
O turismo sexual foi algo que sempre soube, mas vê-lo foi muito mais chocante do que sabê-lo. Sim, vi meninas, muitas seguramente menores de idade, fazendo cara de “não aguento mais”, de mãos dadas com gringos bufões, nojentos. As menores não eram a maioria, mas havia.
O Governo da Tailândia, pelo que pudemos perceber, tem tentado impor limites, pedindo visto para turistas de alguns países europeus, e encurtando a visita dos mesmos. Os alemães, por exemplo, somente podem permanecer no país por 15 dias, segundo nos contou uma alemã que conhecemos na Índia. Mesmo assim, o governo tai não parece fazer muito esforço para fiscalizar as praias do sul, nem está muito em dia com os direitos da mulher. Definitivamente a prioridade é outra: o turismo!
Kata Beach, Phuket. Num dos raros dias totalmente ensolarados que vi por aqui
Curiosidade: na Tailândia você pode falar mal de Deus, da torcida do Bahia e, talvez, até de Buda, menos do rei. Sim, eles têm um reinado! E o rei é autoridade absoluta. Fale mal do rei e você vai direto para o xilindró. Também é considerado um grande insulto pisar no dinhero daqui, pois, na cédula, está impressa a cara do rei. Pois é. Em Roma, como os romanos!
No próximo post farei um resumo das praias e contarei um pouco da incrível experiência que foi mergulhar pela primeira vez na vida, em águas tailandesas!
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Our Singapore experience: luz e sombra do diamante da Ásia
sábado, 28 de janeiro de 2012
Chennai: nossa despedida amorosa do sul da Índia
Depois da tempestade, vem a calmaria. Para minha sorte e a de Gaba, pudemos vivenciar a verdade do velho ditado supracitado! Saímos de Pondicherry no último dia de 2011, chocados com o estrago que o ciclone Thane (teve até nome) causou na cidade e suas redondezas. No ônibus rumo a Chennai, pudemos perceber o alcance do dito-cujo: realmente foram um bons quilômetros de extensão. Soube, há pouco tempo, via Mari, a aurovileana brasileira que comentei no post anterior, que somente no dia 16 de janeiro se restabeleceram por completo os serviços da cidade. Que loucura!
O fato é que Chennai nos recebeu de portas e corações abertos, e foi o lugar onde tivemos uma experiência de estar em família na Índia, graças ao nosso amigo Anil, um jornalista estadunidense, filho de um indiano com uma judia.
Nós com Anil :)
Anil é um capítulo à parte, não só pela mescla de sua origem, mas também pelas coincidências (ou causalidades) da vida que proporcionaram nossos encontros. Eu o conheci na saída do bloco afro Ilê Ayê, no carnaval de 2009, em Salvador. Fomos apresentados por minha querida ex-colega da Facom, Ana Paula Guedes, justo quando ele estava prestes a se mudar a trabalho para Buenos Aires.
Uma vez já instalado na capital portenha, nos tornamos amigos. Eu e Gaba inclusive conhecemos a mãe dele e um pouco da história de suas origens. Porém, Anil terminou a sua temporada em Buenos Aires no fim de 2009, e voltou para os EUA. Não o vimos mais desde então, e foi uma feliz surpresa reencontrá-lo na Índia.
Graças à Mark Zuckeberg e seu Facebook, Anil ficou sabendo pelas fotos que estávamos circulando pelo sul da Índia, e nos avisou que estaria lá poucos dias depois. Conseguimos combinar um encontro e marcamos para passar o reveillon juntos. Ele, muito gentilmente, e com o aval da família, decidiu nos hospedar por uma noite, mas a empatia e a fluidez dos acontecimentos posteriores foram tantas, que terminamos ficando quatro dias!
Conhecemos Mala, a tia de Anil, uma exímia cantora de música clássica hindu. Tivemos uma jam sesion exclusiva, que foi incrível, e ficamos sabendo que ela participou, como intérprete, de um dos discos ao vivo do músico Ravi Shankar. Um arraso!
Também ficamos sabendo um pouco mais da história da família e nos surpreendemos ao nos inteirar que o avô de Anil havia sido satyagrahin, e trabalhou com Gandhi, lado a lado, para articular a revolução pacífica que libertou Bharat (Índia) do colonialismo inglês. Além disso, esteve na linha de frente na construção dos pilares da República da Índia, depois do assassinato de Gandhi.
Pois foi essa família incrível que nos recebeu tão bem, e nos fez sentir em casa, realmente, na Índia. Nos recuperamos do susto do ciclone com muita comida caseira, deliciosa, diga-se de passagem, que só se pode provar num lar autenticamente indiano. Tivemos intercâmbios de idéias interessantíssimos com o pai, a tia e os primos de Anil.
Foto da família reunida com convidados: eu, Gaba e um casal de amigos deles, médicos homeopatas, com os filhos
Tivemos ainda o privilégio de sermos apresentados, através da tia Mala e de Prátima, prima de Anil, a uma técnica de meditação chamada Sahaj Marga, uma modalidade de Raja Yoga de um mestre de Chennai. Os dias que nos restavam na cidade, que eram 3, até a nossa partida para Kuala Lumpur, na Malásia, estivemos fazendo a iniciação na técnica, que realmente teve o grande mérito de abrir a nossa percepção para uma maneira muito mais orgânica de meditar, segundo as nossas experiências e pontos de vista.
Salão de meditação do Shri Ram Chandra Mission
Nesses dias, não paramos de ouvir a frase: uau, vocês são sortudos! Tantas vezes ouvimos isso, que se tornou um mantra. Realmente, depois do choque que foi o ciclone de Pondicherry, tivemos muita sorte na nossa experiência em Chennai. Foi um verdadeiro mimo para nossa alma, uma despedida à altura de todas as experiências maravilhosas que tivemos na ronda que fizemos pelo sul da Índia ! Thank you Anil, Mala, Prátima, Veeren, Shubanka, you're our family in India! :)
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Somewhere over the raimbow...Pondicherry, Auroville e o Mágico de Oz
Quem de nós não teve, uma ou outra vez na vida, o seu momento Doroty? Um belo dia, como na fábula, nos aparece um pesadelo, um furacão, que nos obriga a enfrentar os nossos fantasmas. Nesse ínterim, podemos ter a sorte de encontrar, como Doroty, companheiros de jornada. No caso dela, o leão covarde, o homem de lata sem coração e o espantalho sem cérebro. No meu caso e no de Gaba, uma russa, um alemão e uma eslovena.
E vamos todos juntos em busca de um mestre, o famoso Mágico de Oz, que, no fim das contas, só nos faz reconhecer que aquele lugar tão sonhado, além do arco-íris; as habilidades almejadas, e até mesmo o nosso sonho perdido, estiveram o tempo inteiro ao nosso alcance, bem embaixo do nosso nariz. “Não há lugar como a nossa casa” é o bordão e a moral da história de Doroty, avatar absoluto do meu aniversário número 36.
Chegamos em Pondicherry e ficamos impressionados, pois encontramos uma espécie de vila francesa no meio da Índia. Não toda a cidade, mas o bairro próximo à orla é todo francês: os nomes das ruas, o comércio, a arquitetura de algumas casas e edifícios e até o passeio! Nota: na Índia, as pessoas andam no meio da rua e os passeios, quando existem, são ocupados pelos comerciantes.
Nos hospedamos numa guesthouse na rue La Bordonnais, de um francês que veio morar na Índia há muitos anos. Não vou mencionar nem o nome do senhor, nem a guesthouse, pois nossa experiência lá foi um pouco traumática. Mas, no final, deu tudo certo, como já verão.
De Pondicherry, fomos visitar a cidade shivaísta de Chidambaram, onde, no caminho, cochilei no busu, e tive mais uma das minhas visões: vi um Shiva Nataraja gigante na minha frente, dançando. E senti, como em Hampi, que estava me aproximando de um território Shivaísta. Chidambaram tem um grande templo dedicado à Shiva Nataraja e foi uma emoção grande ver tantos devotos de Shiva reunidos.
Imagens de Chidambaram, a terra de Shiva Nararaja
Também em Pondicherry conhecemos o Aurobindo Ashram e um pouco mais da história e proposta desse grande mestre de Yoga, que teve ao seu lado uma mulher retada. Uma francesa chamada carinhosamente de Mother pelos discípulos. Ao contrário do que muitos pensam, foi a Mother, e não Aurobindo, a idealizadora e fundadora da comunidade Auroville, que existe desde o fim dos anos 60, a mais ou menos 10 km de Pondicherry.
Auroville é uma realização que contou e ainda conta com o apoio de entidades internacionais e de muitas doações, e tem como objetivo, segundo a minha percepção, enraizar o ideal de Aurobindo, que, em poucas palavras, seria fazer da vida um sádhana ou prática de Yoga. E isso inclui: vida em família, escola dos filhos, trabalho, lazer, esportes, cultura, etc. Por isso é chamado Yoga Integral. O projeto Auroville continua firme até hoje, tem um impacto social importante e congrega habitantes, ou aurovileanos, de todas as nações, que vivem na e da comunidade.
Fotos da árvore que fica no centro geográfico de Auroville e, abaixo, do centro de visitantes
Através do contato de nossos amigos Cintia Sento Sé e Atílio Baroni, que tiveram uma experiência muito intensa, de dois meses, em Auroville, em 2010, fomos conhecer Mari, uma aurovileana brasileira, que nos recebeu superbem e tinha a intenção de nos mostrar a comunidade e o famoso Matrimandir, uma estrutura circular dourada que é o símbolo de Auroville. Dentro da estrutura, há uma esfera de cristal de quartzo gigante, que recebe a luz solar diariamente. O Matrimandir é o centro de meditação de Auroville e também motivo de curiosidade, visitas, e também de fotos ridículas, hehe.
Como diria o jumento dos Saltimbancos, primeira lição do dia: na Ásia, fique de olho na previsão do tempo e nos alertas de tsunami, ciclone, terremotos e demais. Não vacile com isso, pois toda a região é muito vulnerável. Você não veio aqui para ter uma visão do apocalipse, correto?
Pois bem, assustados com o prognóstico, depois de ver o Matrimandir por fora, encurtamos nossa visita a Auroville, e voltamos para Pondicherry, para a guesthouse do francês, já com as primeiras gotas de chuva. Mais tarde, na madrugada do dia 30/12, meu aniversário, essas gotitas se transformaram num ciclone violento.
Ainda na tarde do dia 29/12, o vento já dava o ar da sua graça, e mostrava que havia chegado para ficar, e que não nos deixaria dormir em paz. A pousada estava quase cheia e o nosso quarto era literalmente um puxadinho na laje do francês, que, quando chegamos, nos pareceu simpático, pois era limpo e, como estava no terraço, tinha uma visão panorâmica do bairro. Ocorre que esse puxadinho não foi construído à prova de ciclone...
Pedimos ao dono da pousada para trocar de quarto, mas ele negou, dizendo que havia hóspedes que chegariam naquela noite para passar o ano novo em Pondicherry. Muito mal informado, este senhor nos disse que o ciclone havia mudado de rota (!), e que passaria longe dali. E que, se tivéssemos problemas para dormir, nos alojaria na recepção, como medida de emergência.
Às duas da madrugada do meu aniversário, era impossível dormir. O vento sacudia o teto de chapa com força e fazia um barulho tremendo. Tivemos que colocar tapões no ouvido para tentar dormir. Uma hora e meia depois, o francês tentou nos avisar que podíamos trocar de quarto, pois, obviamente, os hóspedes que chegariam mudaram de opinião, e havia quartos disponíveis. Porém, não escutamos. O barulho era ensurdecedor e estávamos com os tapões. Além disso, jamais saberemos o quanto foi a sua insistência em nos desalojar daquele quarto, que realmente estava em perigo.
Houve um momento que começaram a entrar os primeiros pingos de chuva no quarto. Foi o chamado de Deus para que o desocupássemos. Pegamos apenas uma muda de roupa seca e nossa capa de chuva. Gaba teve o incrível insight de colocar nossos pertences de valor, incluindo o netbook que vos habla, câmera fotográfica, passaporte e nossas mochilas dentro de um armário do quarto. Descemos e batemos na porta do francês, pedindo que nos alojasse em qualquer lugar, menos naquele quarto! E nos ofereceu outro que estava disponível.
No dia seguinte, às oito da manhã, o francês bateu na nossa porta desesperado, para que fôssemos com ele recuperar nossos passaportes, pois o teto do quarto havia voado, e uma das paredes, que obviamente não era de tijolo e cimento, também tinha caído. Já havíamos escutado um barulho horrível e eu pensei que perderíamos nossas coisas, pois o vento ou a água fariam um estrago. Isso só não ocorreu graças ao cuidado de Gaba.
O vento era de uma força que eu nunca vi igual. Foi a vez que mais estive perto de um furacão na vida e, acreditem, não é nada parecido com qualquer ventania que tenham visto no Brasil!
Recuperamos primeiro os pertences de valor e, mais tarde, quando o vento melhorou, o resto das coisas. Tivemos quase nenhum prejuízo, apenas um caderno e algumas anotações perdidas e roupas e sapatos molhados. Já Pondicherry...ficou devastada, inclusive se registraram alguns óbitos em zonas mais vulneráveis, infelizmente.
Imagens de Pondicherry pós-ciclone
Passei o meu aniversário como queria, exatamente como havia dito a Gaba um dia antes do ciclone: quieta, tranquila, sem me deslocar. Queria fazer as unhas, fiz. À luz de velas. Queria comer um espaguete, como no? Foi o prato do dia, já que era o mais prático de fazer. Todos os restaurantes estavam fechados, pois não havia luz na cidade e grande parte do comércio havia sofrido sérios danos. Queria festejar o meu aniversário em petit comite, e assim foi: com Gaba e três hóspedes da Pousada: uma eslovena, um alemão e uma russa, que montaram uma mesinha com frutas, bolachas e um brandy indiano.
Meu aniversário à luz de velas, e os convidados :)
Assim festejamos o aniversário mais louco da minha vida. Nesse dia, pude perceber na própria pele o quanto nós, brasileiros (e também argentinos, uruguaios, paraguaios) somos privilegiados, abençoados e protegidos pela natureza que, quando está no comando e com raiva, é feroz e implacável. Não há lugar como a nossa casa!
