sábado, 18 de fevereiro de 2012

Koh Tao e o infinito embaixo d'água

Eu disse que ia dar um resumo das praias da Tailândia, né. Vou começar pelo fim, pois, de todas as experiências nas águas tailandesas, a de Koh Tao foi iniciática e me revelou muito a respeito de mim mesma e de um mundo que sempre tive à disposição, mas nunca me havia ocorrido explorá-lo.

Eu e Gaba, já tirando o mergulho de letra, no nosso segundo dia de prática, hehe


Aprender a mergulhar jamais esteve na minha lista de prioridades. Apesar de ter muita familiaridade com o mar, de meu bisavô ter sido pescador, nunca havia me interessado especialmente pelo mergulho. Para ser sincera, estar embaixo d'água, respirando pela boca por um tubo de oxigênio, não me parecia algo exatamente divertido!

Porém, ainda quando planejávamos a viagem e a passagem pela Tailândia, meu cunhado Fernando, que até escola de mergulho já teve, nos recomendou aproveitar a oportunidade e aprender a mergulhar em Koh Tao. De todos os points de mergulho do mundo, a Tailândia está entre os mais disputados pela diversidade de vida marinha e pela visibilidade da água. Koh Tao, mais especificamente, é uma ilha que se desenvolveu por causa da atividade e, hoje, é o lugar mais barato do mundo para aprender a mergulhar.

Portanto, para um marinheiros de primeira viagem, como éramos nós até um mês atrás, a oportunidade estava ao nosso alcance, era questão de aproveitar. Mesmo assim, eu ainda duvidava se ia desfrutar, e tinha até um certo medinho (que depois vi que se tratava de um medão), de não me adaptar e acabar engolindo água. Pois bem, muchachos: engoli água sim, mas nada que me fizesse afogar.

Compramos o pacote em um resort de mergulho, que incluía tudo: o curso, a hospedagem, o material, quatro mergulhos e a carteirinha PADI, que é uma das entidades que certifica e forma profissionais em todo mundo. No curso, éramos apenas eu, Gaba e um colega mais da Espanha, Tonny. Tivemos a orientação em espanhol de um professor nativo da Espanha, Sérgio, que foi muito paciente, sobretudo com nosso colega Tonny e com meus ensaios de pânico embaixo d'água, hehe.

Tonny, Sérgio, Gaba e eu, o quarteto subaquático


É normal sentir desconforto no início, sobretudo nas sessões de treinamento. Tem um exercício que consiste em simular a perda do regulador, que é o dispositivo que lhe permite respirar pela boca. Temos que resgatá-lo, colocar de novo na boca, apertar o botão para desobstruí-lo e voltar a respirar por ele, simples assim. Ainda na piscina, na fase de treinamento, eu mudei a ordem dos fatores e alterei completamente o produto! Engoli água, yes, e me apavorei.

Outro exercício que me fez engolir água pelo nariz foi o de desembaçar a máscara, estando embaixo d'água. Se você respira pela boca, através do tubo, embaixo d'água, vai usar o nariz pra quê? Somente para exalar, em caso de necessidade. E esta aparece justamente nesse caso, quando a máscara embaça ou quando entra água. A única forma de resolver ambos problemas é expulsar a água da máscara (e, portanto, desembaçá-la), com a ajuda do ar que sai pelo nariz, e com uma leve pressão dos dedos, que auxilia a saída da água. Pensem numa aflição? É claro que entrou água pelo meu nariz nesse exercício e eu entrei em curto-circuito! Até hoje, depois de quatro quatro mergulhos, acho que terei que repetir o exercício do desembaçamento, para me garantir, hehe.

Até aí, tudo bem. O medo mesmo veio no batismo, no meu primeiro mergulho. Um medo que eu desconhecia completamente me paralisou por uma fração de segundos, quando desinflamos o colete e eu olhei para cima. Comecei a ver a superfície se afastando e, a uns dois metros de profundidade, me dei conta que tinha, ainda, mais 6 metros pela frente para continuar descendo!

Segura na corda e respira, Val!


Percebi, então, que estava cruzando um umbral iniciático. Que desconhecia por completo a origem daquele medo. Nunca, pelo menos nessa vida, o mar me apavorou tanto! Felizmente, isso durou um curto espaço de tempo. Fechei os olhos e parei a descida, segurando na corda que ancorava o barco e que serve de guia, principalmente para os iniciantes. Respirei profundamente pela boca, já que pelo nariz era impossível. Assim, pouco a pouco, consegui amestrar o meu emocional e sair do meu mini-estado de pânico. Depois de 10 anos de Yoga, tinha que ter ferramentas à mão para sair de uma situação dessas, hehe.

O famoso Nemo, ou peixe palhaço :)


Passei no teste, cruzei o umbral...e chorei de emoção quando, recuperado o alento e o comando, pude realmente apreciar o que havia lá embaixo! Mergulhar é algo único, que amplia o espectro sensorial, sobretudo visual. É como estar dentro de um aquário gigante, mas com a mesma habilidade visual que se tem observando-o de fora. A percepção da gravidade muda e, para quem sonhou algum dia em ser astronauta, como eu, é uma espécie de ensaio de visita a um mundo desconhecido que, contraditoriamente, sempre esteve ali, mas que nunca tínhamos visto. Super recomendo! :)

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