sábado, 26 de novembro de 2011

Dazibao

Para começo de conversa, tenho que confessar uma coisa: eu não sabia com que nome batizar este blog. Afinal, pululam na rede relatos de viagem, inclusive de muitas parecidas à minha. Deu um certo trabalho encontrar o meu mote, o timão, o prumo que eu quero dar aos meus relatos. E o nome, velho, tem muita importância. Fico imaginando na hora de ter um filho, função para a qual venho me preparando: que situação delicada é escolher um nome, viu! Já é difícil resumir em uma simples palavra a identidade de um projeto! Quanto mais de um sujeito. Rai-ai...

Mas, enfim, são dessas limitações que somos feitos, então, vamos nessa. Escolhi esse nome porque Dazibao já tinha dono. Queria que meu blog fosse uma canção. E Dazibao, canção de Antônio Risério e Jorge Alfredo, interpretada lindamente por minha querida mãe, Roze, fala muito sobre mim e esta viagem. Sem querer, dona Roze previu o futuro quando escolheu essa música para abrir o seu segundo LP e a sua carreira de artista independente.

Referências não me faltam para essa viagem, inspiração tampouco. Mas, como ia dizendo, Dazibao já tinha dono, então tive que recorrer a outra canção. Acabou sendo (hehe) um verso de outro hit marcante da minha infância: O Vapor de Cachoeira. Essa música, que é de domínio público, uma cantiga de roda, fazia parte de um LP de Bia Bedran, que eu escutei até furar. O bordão "nós queremos navegar" é como um mantra na minha cabeça, desde os remotos anos 80.

Aquí estoy, muchachos. Não quero lhes fazer crer que a viagem que estou por começar é determinada pela minha escuta infantil, porque não gosto da idéia de que somos determinados, limitados. Tenho essa fé, quixotesca quizás, no poder do ser humano em romper padrões. Porém, tenho que reconhecer que não se faz isso negando o passado. Em todo caso, ressignificando. Por isso, posso garantir que minha escuta infantil não determinou nem o itinerário nem a viagem. Mas que contribuiu, contribuiu, há!

Tudo isso para dizer: bem-vindos ao meu alazão: este bloguito. Presenteio-lhes um traguito de limonada de gengibre, para ir afinando o paladar, com uma das pérolas de Risério e Jorge, que ajudaram a formar o meu imaginário e, indiretamente, a construir o itinerário dessa viagem que está por começar, hehe.

PS: Esse primeiro post é dedicado a Silvana Maciel, Adriana Balaguer e ao fogo transmutador de sagitário.

Dazibao (Antônio Risério, Jorge Alfredo)

“Vou no meu alazão, viu

Até as Ilhas Canárias

Ou num velho avião

Das linhas aéreas paraguaias

Cantar uma guarânia guarani

Entre a Nigéria e o Himalaia

Angola, Quênia, Africanaã

Descobrir o céu atrás do véu da moça do Irã

Ver a Rodésia virar Zumbi, Zimbabuê

Egun, Babá, Ilê Aiyê

Em nome do bem e de Mao

Deixar escrito em Nanquim

Um Dazibao de Pequim

Um coração de Li-Po

Uma receita macrô

E um verso de Ho-Chi-Min

A URSS se dissolver

Americanaã dançar nos muitos carnavais

De todas as índias acidentais

E continua de pé o que sempre se diz

E continua de pé o que sempre se quis

Milênios atrás

No tempo do fogo, da pedra e dos metais"