Mas, enfim, são dessas limitações que somos feitos, então, vamos nessa. Escolhi esse nome porque Dazibao já tinha dono. Queria que meu blog fosse uma canção. E Dazibao, canção de Antônio Risério e Jorge Alfredo, interpretada lindamente por minha querida mãe, Roze, fala muito sobre mim e esta viagem. Sem querer, dona Roze previu o futuro quando escolheu essa música para abrir o seu segundo LP e a sua carreira de artista independente.
Referências não me faltam para essa viagem, inspiração tampouco. Mas, como ia dizendo, Dazibao já tinha dono, então tive que recorrer a outra canção. Acabou sendo (hehe) um verso de outro hit marcante da minha infância: O Vapor de Cachoeira. Essa música, que é de domínio público, uma cantiga de roda, fazia parte de um LP de Bia Bedran, que eu escutei até furar. O bordão "nós queremos navegar" é como um mantra na minha cabeça, desde os remotos anos 80.
Aquí estoy, muchachos. Não quero lhes fazer crer que a viagem que estou por começar é determinada pela minha escuta infantil, porque não gosto da idéia de que somos determinados, limitados. Tenho essa fé, quixotesca quizás, no poder do ser humano em romper padrões. Porém, tenho que reconhecer que não se faz isso negando o passado. Em todo caso, ressignificando. Por isso, posso garantir que minha escuta infantil não determinou nem o itinerário nem a viagem. Mas que contribuiu, contribuiu, há!
Tudo isso para dizer: bem-vindos ao meu alazão: este bloguito. Presenteio-lhes um traguito de limonada de gengibre, para ir afinando o paladar, com uma das pérolas de Risério e Jorge, que ajudaram a formar o meu imaginário e, indiretamente, a construir o itinerário dessa viagem que está por começar, hehe.
PS: Esse primeiro post é dedicado a Silvana Maciel, Adriana Balaguer e ao fogo transmutador de sagitário.
Dazibao (Antônio Risério, Jorge Alfredo)
“Vou no meu alazão, viu
Até as Ilhas Canárias
Ou num velho avião
Das linhas aéreas paraguaias
Cantar uma guarânia guarani
Entre a Nigéria e o Himalaia
Angola, Quênia, Africanaã
Descobrir o céu atrás do véu da moça do Irã
Ver a Rodésia virar Zumbi, Zimbabuê
Egun, Babá, Ilê Aiyê
Em nome do bem e de Mao
Deixar escrito em Nanquim
Um Dazibao de Pequim
Um coração de Li-Po
Uma receita macrô
E um verso de Ho-Chi-Min
A URSS se dissolver
Americanaã dançar nos muitos carnavais
De todas as índias acidentais
E continua de pé o que sempre se diz
E continua de pé o que sempre se quis
Milênios atrás
No tempo do fogo, da pedra e dos metais"