Dormimos 5 horas, apenas, e pegamos um trem que vai pela costa, de Karnaka a Kerala...um prazer esse trem! A paisagem dos coqueirais e vilas de pescadores me fizeram sentir ainda mais em casa. A atmosfera salina de beira-de-praia fez um bem danado para meu corpitcho, já meio entrevado de tanto carregar o mochilão, hehe.
Fotos: Pescadores em Cochin e minha cara de felicidade com o autêntico thali de Kerala.
Me inteirei na viagem que a menor taxa de analfabetismo da Índia é a de Kerala. É também o estado com melhor índice de bem-estar social, e isso realmente se nota. Foi o lugar onde menos tivemos que barganhar com os motoristas dos auto-rickshaws, pois, na maioria dos lugares, os valores já estavam pré-fixados. Foi também onde vimos as pessoas mais relaxadas e receptivas, no comércio dos grandes centros turísticos. Obviamente os comerciantes queriam vender seu peixe, mas jamais perdiam o sorriso, ao receber um não como resposta. Tampouco insistiam tanto.
Por outro lado, foi também em Kerala onde vimos mais propaganda política por metro quadrado! Não sei se justo passamos por lá no período eleitoral, mas a cara de Lenin, Marx e Trotski estavam em quase toda esquina. Ah, y como no, o rosto de um comunista argentino muy conocido também não podia faltar, Che! O mais incrível (e de certa forma contraditório) foi ver a cara do Che Guevara estampada ao lado da de Gandhi. Ironia?
Em Cochin tivemos a experiência incrível de meditar com os ragas da manhã. Para quem não sabe, ragas são as distintas melodias que representam cada momento do dia. Portanto, existem muitos ragas, cada um com sua propriedade e significado, digamos assim. Também em Cochin vi uma apresentação do Kathakali dance, uma dança típica do sul da Índia, na qual somente a maquiagem dos atores demora uma hora e meia. Muito interessante, cada gesto (mudrá) e passo comunicam algo e vão tecendo a história, no Kathakali.
Foi também em Cochin onde visitamos uma das mais antigas sinagogas da Índia! E onde eu pude perceber o quanto aquí realmente está incorporado o conceito do ecumenismo. Vi com meus próprios olhos uma hindu, que visitava a sinagoga como turista, fazer, diante da estrela de David, a mesma reverência que costuma fazer no seu próprio templo, diante de Shiva, Ganesha ou Krishna. E me emocionei ao perceber que, para os indianos, sobretudo os que incorporaram os ensinamentos de Gandhi, a grande maioria dos que conheci, felizmente, Deus é um só. Eles vivem isso no seu cotidiano, e é lindo de ver!
Terminamos a Cochin experience conhecendo uma família muito querida de brasileiros, cineastas de Minas Gerais, que nos recomendou uma pousada maravilhosa em Alepey, ponto de partida para os backwaters. Foi uma bênção escutar português na Índia, conhecido essa família tão legal e haver recebido essas dicas! No próximo post falarei um pouco mais sobre a nossa vivência nos famosos backaters de Kerala e da pousada mais limpa, linda, cheirosa, confortável, aconchegante e barata (por tudo que oferece) que ficamos no sul da Índia!
delícia te acompanhar, Cla!
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