Sim, graças à Lucas, o cineasta mineiro que conhecemos em Cochin, viemos parar na Bella Homestay! E, confome Lucas nos disse com muito entusiasmo e veemência, foi o lugar mais limpo, cheiroso, aconchegante, de bom gosto e, ainda por cima, barato, pelo que oferece, que encontramos na Índia! O quarto de casal saiu $ 600 rúpias (ou seja, $ 60 pesos argentinos, mais ou menos).
Nosso plano incial, como de costume em viagens como esta, mudou por completo em Kerala. Inicialmente, nossa idéia era apenas passar um dia por Alepey, para já alugar um House Boat (casa-barco, sem tirar nem por!), com o objetivo de navegar pelos famosos backwaters da região, até a cidade de Quilom. Abaixo, foto de um House Boat.
Parêntesis importante: o que são os backwaters!? Águas de trás, literalmente: segundo Bijou, nosso anfitrião em Alepey, se chamam assim por causa dos extensos rios e canais que margeiam a costa, que estão acima do nível do mar. São quilômetros e quilômetros de lagos, lagoas, riachos formando canais que se interconectam, como os igarapés do Amazonas, trazendo vida e sustento para as populações ribeirinhas, que cultivam arroz, coco, banana e pesca.
Pois é, fecho o parêntesis e volto ao nosso plano inicial: foi diretamente pras cucuias depois da Bella Homestay. Descartamos o house boat, pois, apesar de parecer atraente dormir com o céu estrelado numa casa-barco, a temporada alta, o excesso de barcos e motores sujando os rios, para lá e para cá, não nos pareceu tão tentador, estando aí e vendo como tudo funcionava. Ao invés disso, preferimos o serviço de um canoeiro roots, indicado por Bijou, e fomos percorrer os backwaters a bordo de uma canoa, ao estilo National Geographic, junto com outros hóspedes da pousada, com quem terminamos estabelecendo uma sintonia e trocamos de dicas de viagem, o que foi bem interessante. A foto do nosso grupo!
O nosso canoeiro era morador dos backwaters e, no pacote canoístico, incluía: café-da-manhã típico de Kerala, na casa dele, e almoço especial, na casa do pai, com direito a um passeio pela vizinhança e um tour por algumas lagoas maiores.
Houve um momento em que estávamos com muito calor e, cercados por tanta água, foi inevitável o desejo de dar um mergulho. Gaba, afoito como é, não perdeu tempo e pediu uma recomendação de lugar para tomar banho e, mesmo com o imaginário de alguns povoado de piranhas (que, com certeza, não havia ali), crocodilos (opa, dependendo da lagoa, podem até aparecer, mas não naquela) e amebas (essas, sim, deveriam habitar toda a região, com tranquilidade), tapamos a boca e demos um mergulho delicioso nos backwaters de Kerala, um atrás do outro (Gaba foi o primeiro, óbvio). Aventura!!!
Aventura tão eletrizante quanto esta, só mesmo conseguir não ser importunada usando biquini nas praias indianas. Esse é realmente um abismo cultural muito difícil e profundo. A Índia, apesar de estar cercada por águas, e de ter um Oceano com o seu nome, não tem cultura de praia. A maioria das mulheres não sabe nadar e grande parte dos homens tampouco!
A possibilidade de ver uma indiana em traje de banho, seja ela muçulmana, hindu, católica ou qualquer outra opção religiosa. é quase nula. Isso é tão chocante para nosotros quanto para eles ver tanta carne de mulher exposta ao ar livre. É bizarro expressá-lo assim, mas foi isso que eu senti ao ser “escaneada”, quando decidi tomar um banho de mar na praia de Marari, supostamente um balneário ocidental perto de Alepey.
Por isso mesmo, as chamadas praias de gringo na Índia terminam sendo um pólo de atração para alguns indianos, pois, para eles, é como ir ver mulher “pelada” grátis, dado o contexto cultural de tanta repressão e tanto recalque com relação ao corpo, seja masculino ou principalmente feminino. Mas isso é assunto para o próximo post!
Quero terminar este agradecendo (mais uma vez) a Bijou, Natasha e Jack pela hospitalidade, e a Lucas pela recomendação. E também com o slogan-mantra: se você for à Alepey, fique na Bella Homestay :)
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