sábado, 28 de janeiro de 2012

Chennai: nossa despedida amorosa do sul da Índia

Este post é dedicado à Anil e família, e à minha ex-colega da Faculdade de Jornalismo, Ana Paula Guedes. Paulete: nem você teria noção de que aquele nosso encontro, na saída do Ilê, renderia essa história, hehe :)

Depois da tempestade, vem a calmaria. Para minha sorte e a de Gaba, pudemos vivenciar a verdade do velho ditado supracitado! Saímos de Pondicherry no último dia de 2011, chocados com o estrago que o ciclone Thane (teve até nome) causou na cidade e suas redondezas. No ônibus rumo a Chennai, pudemos perceber o alcance do dito-cujo: realmente foram um bons quilômetros de extensão. Soube, há pouco tempo, via Mari, a aurovileana brasileira que comentei no post anterior, que somente no dia 16 de janeiro se restabeleceram por completo os serviços da cidade. Que loucura!

O fato é que Chennai nos recebeu de portas e corações abertos, e foi o lugar onde tivemos uma experiência de estar em família na Índia, graças ao nosso amigo Anil, um jornalista estadunidense, filho de um indiano com uma judia.

Nós com Anil :)


Anil é um capítulo à parte, não só pela mescla de sua origem, mas também pelas coincidências (ou causalidades) da vida que proporcionaram nossos encontros. Eu o conheci na saída do bloco afro Ilê Ayê, no carnaval de 2009, em Salvador. Fomos apresentados por minha querida ex-colega da Facom, Ana Paula Guedes, justo quando ele estava prestes a se mudar a trabalho para Buenos Aires.

Uma vez já instalado na capital portenha, nos tornamos amigos. Eu e Gaba inclusive conhecemos a mãe dele e um pouco da história de suas origens. Porém, Anil terminou a sua temporada em Buenos Aires no fim de 2009, e voltou para os EUA. Não o vimos mais desde então, e foi uma feliz surpresa reencontrá-lo na Índia.

Graças à Mark Zuckeberg e seu Facebook, Anil ficou sabendo pelas fotos que estávamos circulando pelo sul da Índia, e nos avisou que estaria lá poucos dias depois. Conseguimos combinar um encontro e marcamos para passar o reveillon juntos. Ele, muito gentilmente, e com o aval da família, decidiu nos hospedar por uma noite, mas a empatia e a fluidez dos acontecimentos posteriores foram tantas, que terminamos ficando quatro dias!

Conhecemos Mala, a tia de Anil, uma exímia cantora de música clássica hindu. Tivemos uma jam sesion exclusiva, que foi incrível, e ficamos sabendo que ela participou, como intérprete, de um dos discos ao vivo do músico Ravi Shankar. Um arraso!

Também ficamos sabendo um pouco mais da história da família e nos surpreendemos ao nos inteirar que o avô de Anil havia sido satyagrahin, e trabalhou com Gandhi, lado a lado, para articular a revolução pacífica que libertou Bharat (Índia) do colonialismo inglês. Além disso, esteve na linha de frente na construção dos pilares da República da Índia, depois do assassinato de Gandhi.

Pois foi essa família incrível que nos recebeu tão bem, e nos fez sentir em casa, realmente, na Índia. Nos recuperamos do susto do ciclone com muita comida caseira, deliciosa, diga-se de passagem, que só se pode provar num lar autenticamente indiano. Tivemos intercâmbios de idéias interessantíssimos com o pai, a tia e os primos de Anil.

Foto da família reunida com convidados: eu, Gaba e um casal de amigos deles, médicos homeopatas, com os filhos

Crianças fofas e talentosas, deram um show, cada um na sua especialidade: a menina, Divya, cantou música folclórica de Karnataka (lindo!) e os meninos, Shubanka e Bharat, tocaram teclado

Tivemos ainda o privilégio de sermos apresentados, através da tia Mala e de Prátima, prima de Anil, a uma técnica de meditação chamada Sahaj Marga, uma modalidade de Raja Yoga de um mestre de Chennai. Os dias que nos restavam na cidade, que eram 3, até a nossa partida para Kuala Lumpur, na Malásia, estivemos fazendo a iniciação na técnica, que realmente teve o grande mérito de abrir a nossa percepção para uma maneira muito mais orgânica de meditar, segundo as nossas experiências e pontos de vista.

Salão de meditação do Shri Ram Chandra Mission

Nesses dias, não paramos de ouvir a frase: uau, vocês são sortudos! Tantas vezes ouvimos isso, que se tornou um mantra. Realmente, depois do choque que foi o ciclone de Pondicherry, tivemos muita sorte na nossa experiência em Chennai. Foi um verdadeiro mimo para nossa alma, uma despedida à altura de todas as experiências maravilhosas que tivemos na ronda que fizemos pelo sul da Índia ! Thank you Anil, Mala, Prátima, Veeren, Shubanka, you're our family in India! :)

3 comentários:

  1. Mas vcs são sortudos: tem um ao outro, e um mundo à frente para navegar!
    viva o ilê! hehe!
    bj queridos

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  2. Viva, viva! A Índia, a África e a Bahia têm lá seus links espirituais. Não por acaso, na minha viagem, eu pisei primeiro em solo africano antes de chegar na Índia. E, na volta, vou passar uma semana lá na África do Sul :)
    Beijão, Aninha

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  3. a sorte da gente é a gente que faz.
    e... uau, vocês são sortudos!!!

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