Estou cada vez mais convencida de que a minha viagem tinha mesmo que começar pelo sul da Índia. Tenho me sentido bastante em casa com o clima, as comidas, as pessoas. Embora me impressione com tudo o que vejo, nada realmente me chocou (pelo menos até agora), exceto uma coisa: o papel da mulher na banda de cá do planeta Terra. Isso é assunto para outro post. Contrastes hay, como no, sobretudo culturais. Porém, tenho que admitir que encontro algumas semelhanças entre o sul indiano e o meu querido nordeste brasileiro, tanto no que se refere a alguns costumes e riquezas naturais quanto a algumas mazelas sociais.
A diferença substancial, que faz da Índia um país muito mais difícil de administrar do que o Brasil, fica por conta da densidade populacional. Somente Karnataka, estado que estamos transitando agora, possui mais de 52 milhões de habitantes, segundo o senso de 10 anos atrás!
Depois de dois dias em Mumbai, tomamos um trem noturno e depois fizemos uma baldeação de trens rumo a Hospet, que é o ponto principal para chegar às ruínas de Hampi. Viajamos no vagão da segunda classe (até a terceira classe é possível viajar num vagão com cama, com ar condicionado e deitado), que contava com dois beliches e roupa de campa limpa. A mesma estrutura não havia nos vagões da parte de trás, onde viajava a maioria das pessoas. Uma loucura, o trem era enorme, mas estava lotadíssimo, com famílias inteiras, incluindo crianças de colo, viajando amontoadas.
Não havia nenhum trem direto de Mumbai a Hospet, por isso tivemos que fazer duas baldeações em trens comuns, sem ar-condicionado, cama ou confortos maiores. Foi nossa primeira experiência em um transporte coletivo na Índia. A primeira baldeação foi na estação de Guntakal, e a segunda na de Bellary, tudo isso para chegar a Hospet e, depois, a Hampi! Ufa...
Foi no trem de Guntakal a Bellary onde percebi que chamava atenção além da conta, por estar com os ombros descobertos. Também, velho, fazia um calor do cabrunco! Quando sai do fru-fru do vagão com ar-condicionado, não aguentei, tirei o casaco, e acabei esquecendo um importante detalhe: na Índia, se você for mulher, para evitar constragimentos, evite usar camiseta e/ou saia/bermuda acima do joelho. Eu estava vestida até demais para o mormaço que fazia, mas os ombros...
Logo que entramos no trem comum, me sentei ao lado de uma senhora muçulmana, com uma criança de colo. A senhora, que talvez fosse mais nova do que eu, estava toda coberta de panos pretos, até a cara. O bafo era infernal, o trem estava cheio, e havia lugar ao lado dela, felizmente. Eu me sentei e, menos de um minuto depois, ela se levantou com o bebê, em busca de outro lugar. Um senhor muito amável, que estava na nossa frente, falava inglês e era um pouco mais open-minded, me chamou a atenção para o detalhe: eu estava com uma blusa que mostrava os ombros. No interior de Índia, isso era ofensivo demais. Ops...garrafal mistake!
Com esse episódio, aprendi que aqui é preciso ter sempre uma blusa de manga à mão, nem que seja fininha, mas que cubra os ombros. A vantagem desse choque cultural foi que pegamos tão buena onda com esse senhor, que ele nos ofereceu um café-da-mahã indiano: idly com chai. Disse que fazia questão de nos oferecer aquele desjejum, pois queria que nos sentissemos bem na Índia. Imediatamente chamou pelo celular a um contato que tinha na estação (durante todo esse tempo o trem estava parado), que prontamente trouxe as iguarias. Ele pagou o boy e nos ofereceu o café-da-manhã, como bom anfitrião, mas que nem sabia nosso nome. Nós tampouco perguntamos o nome desse senhor. O que importa é que eu e Gaba ficamos surpreendidos e gratos com o gesto dele.
E, para melhorar, não é que o tal do idly lembra cuscuz de tapioca? Com a diferença que a massa parece ser de feijão e é salgada. E, para minha surpresa, o idly frito, servido ao lado do cozido, junto com um molhinho picante, tem um sabor muito parecido com...ACARAJÉ! Morri, hehe! Quase tive um treco quando provei. Minha cara de cansaço foi para o espaço quando comi essa maravilha. É por essas e por outras que, salvo alguns abismos culturais (sobretudo no que toca a questão da mulher), posso dizer que estou me sentindo bastante em casa no sul da Índia, pelo menos até agora.
Foto: Momento do nosso jantar em Mumbai, antes da jornada até Hampi. Eu, minha cara de felicidade com o thali (prato tipico do sul da India) e a minha blusinha devassa, mostrando os ombros, que deu o que falar na estação de Guntakal.
lendo, visualizando, amando!
ResponderExcluirobrigada por estar, amiga! xero!
ResponderExcluirHuahuahau!!! Só vc para achar que idly tem sabor de acarajé!!! Adoro seu blog, mas me dá uma saudade danada da Índia :) Não é maravilhosa essa nossa terra-mãe? Beijo grande nos dois!
ResponderExcluirOi Cin! É maravilhsa mesmo, e generosa também! Na verdade não é o idly que parece com acarajé, mas aquela bolinha frita que eles servem junto e eu esqueci o nome, hehe. Vou averiguar e te digo. Beijo!
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