Antes de contar um pouco a respeito das incríveis esculturas de Belur e Halebid (ou Halebidu), vou continuar falando mais um bocadinho de Hampi (se nota que eu gostei do lugar, hehe). Os demais templos que vimos lá foram o de Hannuman, o deus macaco, e o de Lakshmi, a deusa da prosperidade e da fortuna.
Vou falar aqui do primeiro, porque a experiência foi mais pitoresca. Para chegar ao templo de Hannuman, há que subir uma escadaria com uma centenas de degraus, uma canseira, mas que vale muito a pena, porque a vista de lá de cima é espetacular. Além disso, a principal atração do Monte Santo da Índia (lá vem eu com minhas referências nordestinas, hehe), além do templo lá no topo, são os macacos. Macacos? Pois é, coincidência ou não, a montanha de Hannuman é povoada deles.
No pé da escadaria, havia umas vendinhas de água-de-coco e banana. Gaba, ingênuo, queria comprá-las para ele, pois eram nanicas, com um aspecto delicioso. O senhorzinho que as vendia disse logo: leve umas 20, para os macacos. E Gaba terminou levando dez, dizendo que ia comer a metade. Rai-ai. Alguns metros depois, descobrimos o porquê de levar bananas para a subida.
Os macacos, ao verem alguém com um saco na mão, avançam sem piedade. Mais vale que você leve algumas bananinhas para eles, mas segure bem o saco, pois os bichinhos são capazes de qualquer artimanha, inclusive confiscar pertences dos desavisados-botando-os-bofes-pra-fora-no-meio-daquela-subida-que-não-acaba-nunca, em troca de comida. De fato, isso aconteceu com um turista que subiu depois da gente: um macaco safadinho roubou o estojo da máquina fotográfica dele, que tinha a chave da moto dentro! Tudo isso porque o cidadão não levou as benditas bananas. Não sei como ele fez pra voltar pra casa. Portanto, a oferenda a Hannuman não é simbólica somente, tem um sentido bem prático, hehe.
Hannuman foi devoto de Rama que, por sua vez, foi uma das encarnações de Vishnu. Eu não sei muito da sua história, mas sim tô por dentro das habilidades da deidade: era um macaco esperto e guerreiro, altamente hábil. No alto da montanha, onde foi construído o templo, há uma inscrição em hindi que diz: "aqui nasceu Hannuman". Eu acredito. Não é à toa que deixou muitos herdeiros gulosos e inteligentes pra posteridade. E Gaba teve que se contentar com a água de coco, mesmo :)
Uma curiosidade: 8 de dezembro, dia de Nossa Senhora da Conceição da Praia (ou Oxum, no sincretismo), é também uma data festiva aqui, pois se comemora o aniversário de Hannuman. Nesse dia, já estávamos em Hassan, cidade de acesso para visitar as ruínas de Belur e Halebidu, e vimos um desfile de devotos do deus macaco, muitos deles vestidos de laranja (a cor de Hannuman), como os fiéis que vimos no templo de Hampi.
Havia um carro alegórico enfeitado com os motivos da deidade, uma banda tocando tambores, e um carro de som que parecia um mini trio-elétrico, com uma galera, todos homens, dançando como loucos, no meio da rua. Nós olhávamos de longe aquele alvoroço, quando um grupinho de homens afoitos, que perceberam que havia um gringo na área (Gaba!), quiseram puxá-lo para o meio da folia. Foi necessário um senhor me ajudar a evitar o “sequestro” do meu gringo para o meio da rodinha de samba indiano.
Aliás, muito esquisito esse negócio de só ter homem dançando nas festas daqui. Eu acho estranho, mas é muito comum que isso aconteça. As mulheres indianas, pelo menos as do interior, tem a vida social praticamente nula, pelo que eu tenho percebido. Porém, nem sempre foi assim. As paredes das ruínas que vimos, tanto em Hampi como em Belur e Halebid estão aí para comprovar que a realidade era beeem diferente, pelo menos no período medieval.
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