segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Good by Argentina...and welcome to India!


Good bye Argentina...and welcome to India!
Foi difícil deixar a nossa casa e a nossa rotina. Quatro meses dando voltas por aí é uma promessa sedutora, porém, nada fácil de concretizar, quando já estamos em tempo de enraizar na vida. Meu ex-colega e companheiro de aventuras pelo sul da Bahia no reveillon de 98/99, Pérsio, quando recebeu meu email de anúncio deste blog, me questionou: que é que você vai fazer aí, mulher? Que itinerário é esse, como foi armado?
Pois é, Per, você tem razão. Uma viagem assim, por tantos países desconhecidos pela maioria de nosotros, não se faz assim, no plim. Sim, fizemos uma programação (que, na prática, já está sendo revista, há!), lemos bastante, sobretudo a respeito da Índia, que era (e é) nosso principal foco. Lonely Planet rules! Tivemos alguns amigos que fizeram viagens similares que nos encorajaram. E o sonho de visitar a Índia existe desde que nos aproximamos da cultura milenar daqui, através do Yoga.
Porém, mesmo com tanta informação e planejamento, fui me dando conta, na véspera da viagem, do quanto foi difícil “largar o osso” da estabilidade e do conforto da minha casinha para me jogar no mundo, já havendo superado bastante os 23 aninhos que tinha em 99, hehe.
No último dia antes de viajar, eu e Gaba nos vimos imersos em uma maratona quase interminável de afazeres de última hora. Deixar a nossa casa, nosso trabalho independente e nossa rotina por quatro meses foi um verdadeiro sacudón. Chegamos ao aeroporto quando faltavam menos de 10 minutos para fechar o check in. Só embarcamos graças a meu cunhadito Fernando, ao tio Eddy, que deu um telefonema providencial, e a um funcionário de Migraciones Argentinas, que colaborou com o meu embarque.
Enfim, muita adrenalina (e algum auto-boicote inconsciente, creo yo), mas, enfim, conseguimos. Foram 22 horas divididas em dois voos (sim, são muitas horas de viagem, ao contrário do que eu disse no post anterior), e ainda mais 3 horas de espera em Johannesburgo. Um dia que não terminava e uma noite curtíssima, pois cruzamos o globo terrestre na direção do sol nascente!
Quando começamos a nos aproximar de Mumbai, do avião, tive uma espécie de visão que me impactou e que, no meu ponto de vista, está sendo muito elucidadora, à medida que vou conhecendo a Índia. Aparentemente, me conectei com a energia do lugar de forma tal que vi uma entidade, diante dos meus olhos. Uma senhora sorridente, vestida com um sari rosa, cheia de adornos, bem gordinha, com a cor da pele bem escura, cabelos lisos e um sorriso maroto e benevolente no rosto.
Ela estava cercada de crianças famintas e demandantes ao seu redor, a quem atendia com muita paciência e amor, sem perder la ternura, jamás! Para mim, essa é a imagem da grande mãe que pulsa junto com o coração da Índia, que um dia foi uma região habitada por povos de organização matriarcal. Essa shaktí provedora e amorosa, que, sem uma figura paterna ou castradora ao lado, teve dificuldades em impor limites aos seus filhos, que terminaram recebendo esses limites pelas mãos duras dos seus muitos pais adotivos. O último deles: a mão-de-ferro da Inglaterra.
A falta de regras, inclusive no trânsito, o caos generalizado (porém incorporado orgânicamente por eles), o satyagraha de Gandhi, confirmado pela benevolência no olhar e nas atitudes de muitos deles, mesclado à ingenuidade meio naïf na apropriação da cultura ocidental, e tantos outros ingredientes alguns picantes, outros talvez demasiado amargos e difícéis de digerir, fazem parte do darshan dessa senhora gordinha do sari rosa, que veio me abençoar e dar as boas-vindas no avião J

Um comentário:

  1. Olá minha querida Cla,
    que experiência maravilhosa essas de vocês, a viagem, a cultura, vai dar tudo certo com certeza, e que visão a sua hein!?
    Ser recebida assim, sinto que sua caminhada será repleta de paz e muitas surpresas.
    paz e luz!!!!

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