quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Hassan-Hassan-Hassan-Hassan-Hassan

Na nossa relaxada estada em Hampi teve até capítulo de despedida, com direito aos hinos da Índia e do Estado de Karnataka, cantados em hindi e em Kannada, língua oficial. Para quem não sabe, a Índia possui 8 línguas oficiais, fora os dialetos. Enquanto esperava o autorocickshaw que nos levou ao ponto de saída do nosso busú para Bangalore, fiz amizade com duas menininhas, sobrinhas dos donos da pousada, que deram um verdadeiro show exclusivo para mim, inclusive de dança indiana. Fofas! Além disso, a dona da pousada, Svarna, me batizou com um nome em hindi, o mesmo da sua filhinha: Kushi, que significa felicidade. Na foto: eu, Svarna e minha xará, Kushi.

Pegamos um busu leito, com cama e tudo, que nos deixou em Bangalore para, de lá ir até Hassan, cidade que fica próxima aos templos de Belur e Halebid, nosso objetivo. Já deu para perceber que nem todos os lugares contam com trasporte direto aqui, o que acaba por tornar um simples deslocamento em uma jornada pra lá de cansativa. Mas tudo bem, a gente programou nossa viagem contando com esse tempo e essa disposição. Do contrário, há que pagar muitíssimo mais caro por um motorista particular que lhe leve, de táxi, aos destinos à sua escolha. E nem sempre isso é garantia de chegar antes, pois grande parte das estradas aqui estão em péssimo estado. Pode-se tranquilamente tardar 4 horas para rodar apenas 150 km! Além do mais, nem sempre é mais confortável ou seguro viajar com um motorista particular, e se perde muito em termos de aprendizado.

Quando entrei no ônibus, tomei um susto: eu nunca tinha visto um leito assim. Em vez de cadeiras, tinha cabines, de um lado e do outro, com beliches, como no trem que tomamos de Mumbai a Guntakal. Todos os passageiros viajam deitados, não há cadeiras. Realmente funciona como uma cama e é ideal para viajar de noite, sobretudo se você está cansado e consegue abstrair a forma nonsense (pelo menos segundo o nosso ponto de vista ocidental) que os motoristas de ônibus na Índia costumam dirigir. Porém, uma vez na chuva, a gente tem que se molhar. Segura na mão de Deus, e vai! Como eu felizmente não tenho nenhum problema para dormir, só acordei quando chegamos a Bangalore.

Chegamos às 5:30 da matina e, de lá, tomamos outro busu para Hassan-Hassan-Hassan-Hassan-Hassan. Essa repetição é uma piada interna: eu e Gaba não gravamos no momento, mas ele está a ponto de fazer um rap com essa palavra. Na rodoviária, os cobradores anunciam os destinos dos ônibus de forma repetitiva e exaustiva, aos berros, de uma maneira muito peculiar. Aguardem soundtrack :)

Mesmo com tanta poesia, se alguém que está lendo estas linhas planeja um roteiro similar ao nosso, evite Hassan. Vá direto se hospedar em Belur, que tem melhor estrutura de hospedagem que Halebid. Ou então, escolha Mysore como ponto de apoio para conhecer os templos. Fora a feirinha, que é bem pitoresca (a de Mysore é bem maior e mais interessante), e a comida do restaurante Suvarna, Hassan não tem muito para ver. Mesmo assim, a gente se divertiu. Segue fotos da feirinha de lá.


Hassan uma cidade bem ruidosa, poluída, nem muito pequena, nem muito grande, e a hospedaria que ficamos lá, recomendada pela Lonely Planet, é bastante caidinha, com aquele típico cheiro de carpete úmido que senti na chegada em Mumbai. Eu não sou o que se pode chamar de mulher fresca, mas, sinceramente, deu nojinho. Com um pouco de água e sabão se podem fazer maravilhas, em qualquer lugar do mundo. Parece que aqui na Índia, sobretudo nas cidades de passagem, as pousadas não fazem muita questão de se deter no quesito limpeza...

Em compensação, foi na antiga rodoviária de Hassan que provei o meu primeiro (e talvez mais gostoso até aqui) Masala Dosa, hummm...é super típico no sul da Índia comer um dosa no café-da-manhã ou na janta, sempre com um chai, óbvio. Um vício!

Pois bem, mas além de desrecomendar Hassan, esse post tinha outro objetivo: falar dos templos de Belur e Halebid. Porém, vou deixar para o próximo, pois acho que vale a pena um texto dedicado somente àquelas esculturas e o que elas representam, inclusive em termos de desrepressão e liberação, sobretudo para a mulher, se compararmos com o tempo histórico no qual a maioria parece viver aqui na Índia: uma espécie de Idade Média tardia.

3 comentários:

  1. li tudo, mas fiquei fixada na imagem das crianças dançando para você.. um olhar esgueirado para o futuro, pensei.. Felicidade, querida!

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  2. Clá, continuo amando seus posts, e pensando em como eu já teria enlouquecido numa viagem dessas, pq não ia conseguir me hospedar em lugares tão... pitorescos, por assim dizer!
    Vc está cada vez mais com cara de nativa, e agora já tem até nome!
    O Natal se aproxima no Brasil. A gente aqui fingindo neve, e vc aí tomando chai. O mundo é mesmo injusto! rsrsrs

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  3. Clacla, sua forma de contar suas aventuras é uma delícia! As imagens saltam para além das palavras. Vemos, sentimos, cheiramos, escutamos um pouquinho de tudo com você! Somos agraciados por compartilhar! Besitos

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